A auto-mutilação é um dos maiores sintomas do transtorno de personalidade borderline. É tão característico ao transtorno que alguns profissionais dão um diagnóstico de TPB a um paciente até mesmo se nenhum outro sintoma estiver acontecendo. Mas muitas pessoas ainda estão no escuro quando se fala de auto-mutilação: Por que as pessoas fazem isso? O que se consegue se ferindo? Como se aproximar se alguém que se auto-mutila?
Porque as pessoas se auto-mutilam:
A auto-mutilação é um ato deliberado de se machucar com uma esperança paradoxa que ferir o corpo irá parar a dor mental e emocional. Ao contrário da crença popular, não é uma tentativa de suicídio. é incerto o número de americanos que fazem isso: um estudo da universidade de Missouri—Columbia reportou que aproximadamente 3 milhões de americanos se auto-mutilam, um artigo da Time reportou que dois milhões o faziam. Não importando o número, é sim um problema sério.
A primeira pessoa da alta sociedade a admitir que ela se mutilava foi Lady Diana Spencer (aka Princesa Diana). Ela deu uma das melhores descrições que eu já vi sobre isso: "Você tem tanta dor dentro de si que tenta e se machuca por fora porque quer ajuda."
Eu pessoalmente faço isso para ganhar força. Na minha lógica distorcida, se eu não tenho medo da dor, posso superar a dor causada por alguma situação e fazer algo.
O que se consegue pela auto-mutilação
Auto-mutilação é sobre sobrevivência. É uma maneira de dar voz ao que não se consegue dizer. É uma forma de aliviar a dor. Lembre disso e você poderá entender - pelo menos intelectualmente.
As pessoas que se auto-mutilam não o fazem para morrer, apesar de haver um link entre isso e o suicídio. Eles não o fazem para chamar atenção. eles o fazem como habilidade para lidar com algo - negativa, claro, mas ainda assim uma habilidade. Como Fiona Apple disse: "Nunca era assim: 'Vou me ferir e me colocar num hospital' ... É eu dando a mim mesma a dor que preciso para colocar um ponto no que estava havendo dentro de mim."
O músico Richey Edwards escreveu: "Quando eu me corto me sinto muito melhor. Todas as coisas pequenas que possam ter me irritado de repente parecem tão triviais porque eu estou me concentrando na dor."
Ele continua: "É tudo sobre auto-disciplina. Assim, auto-obsessão completamente conectada com uma aversão a si mesmo, é o mesmo que... humm... se você tivesse um problema com o peso... é sobre... encontrar algum valor em si mesmo, saber que você tem a disciplina para fazê-lo e saber que outras pessoas talvez não consigam. E é também, eu acho, bem conectado ao fato de que você quase se sente... como dizer, silencioso, você não tem voz, é mudo, não há, você simplesmente não tem opção. Mesmo se tivesse como se expressar ninguém ouviria de qualquer forma. As coisas que acontecem dentro de você, não há outra forma de se livrar delas."
Como se aproximar de alguém que se auto-mutila.
No livro "In If Nobody Speaks of Remarkable Things", John McGregor escreveu: “Eu quero que alguém me veja, eu quero alguém que entre correndo, me pegue e diga ei, o que você está fazendo, ei, vamos lá, o que há de errado?” Esta é a melhor forma de se aproximar de quem se auto-mutila: conversar com eles e perguntar o que há de errado.
Não julgue. Não assuma que a pessoa está fingindo, nem que é para chamar atenção. Tente entender que ela está sofrendo e tente ajudá-la a encontrar outra forma de lidar com a dor. Indique a pessoa a um terapeuta se necessário, ou peça-a para ligar para seu próprio terapeuta. Ponha limites, mas não dê um ultimato. Se eduque. Mas principalmente, esteja lá.
No fundo, por mais que seja difícil falar sobre isso, queremos falar. Por favor escute.
(tradução livre do artigo "Why Some People with BPD Self-Injure")
Bem, tenho que dizer: I'm a cutter. Eu me corto. Inspirada no post do Rick sobre suicídio, resolvi falar que realmente acho que estou me viciando nisso. É como droga. É um efeito muito rápido e muito louco. Não, não estou sugerindo que façam isso. Não me orgulho e já falei aqui algumas vezes quando me cortei. Dói e não pára, eu me frustro e me corto. As vezes queria gritar isso, mas não... Porque não o faço pra chamar atenção. eu sei que preciso de ajuda, preciso parar, mas a dor precisa me dar uma trégua de vez em quando.
Sei que aqui não serei julgada e provavelmente só aqui e na terapia se sabe como me sinto.
Fonte: http://borderline-girl.blogspot.com.br/2013/04/por-que-algumas-pessoas-com-o.html
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Esse texto me fora muito útil pois escrevo e abordo temas como esses em minhas historias. Inclusive, uma borderline que é uma co- protagonista.
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