Qual é a diferença entre bipolar e borderline?

Há muita especulação entre estes dois transtornos, sendo que muitas vezes uma pessoa tida como bipolar não o é, e sim, borderline, e o contrário também acontece.

A primeira diferença básica é que o transtorno bipolar é um transtorno clínica/mental e o borderline é um transtorno de personalidade do tipo B. Entendamos melhor a diferença entre bipolar e borderline.

Para os conhecedores da área, uma avaliação multiaxial caracteriza o Transtorno Bipolar como um transtorno do eixo I (que engloba os transtornos clínicos) e o Borderline como um transtorno do eixo II (que engloba os transtornos de personalidade).

No transtorno de personalidade emocionalmente instável, o humor varia dentro de um tempo menor (segundos, minutos, no máximo horas). No transtorno bipolar, o humor varia dentro de um tempo maior (dias, semanas, meses), obedecendo a ciclos. Quem é emocionalmente instável (ou seja, quem sofre de instabilidade emocional) tem um humor que se altera devido a fatores internos (o que não esta a sua volta). Muito embora comportamento de outras pessoas podem afeta-lo. Quem é bipolar tem um humor que obedece a fatores externos (que dependem do que acontece em volta).
Veja: O instável vai mudando de humor ao longo do dia, segundo as situações que encontra. O bipolar mantém o humor maníaco enquanto durar a fase de mania (uma semana no mínimo); e mantém o humor depressivo enquanto durar a fase depressiva (dois meses no mínimo).
Mesmo aquele bipolar misto que alterna rapidamente momentos de euforia e de depressão não é tão inconstante como quem sofre de transtorno de personalidade emocionalmente instável. A diferença, nesse caso, pode ser pequena; mas existe.
Mencionando Perugi, poderíamos ver o estado misto como um estado de instabilidade emocional em que euforia e depressão coexistem ou flutuam dentro do mesmo quadro. Ainda assim, mesmo vendo a coisa por esse ângulo, note que ainda estamos falando de estados mistos e, num caso de TAB (transtorno afetivo bipolar), haveria outros elementos a levar em conta.

 A instabilidade emocional está dividida em dois subtipos; um deles é o transtorno de personalidade borderline, que é o transtorno boderline propriamente dito. Borderline além do humor borderline ser mais curto como explicado acima (porque varia dentro de um tempo menor), há outras diferenças. A identidade do borderline é menos definida; ele não sabe exatamente quem é ou o que quer, e isso inclui a sexualidade.

Já o bipolar tem uma identidade mais sólida; ele sabe quem é e o que quer. Falando apenas de sexualidade, ou de identidade sexual, é mais provável encontrar um bissexual entre borderlines que entre bipolares, especialmente se não estamos falando de uma única experiência sexual, mas de várias. Há bipolares que relataram ao menos pensar ou já ter pensado em outra pessoa do mesmo sexo ou já ter experimentado pelo menos um beijo com pessoa do mesmo sexo. À parte isso, não deixemos de ter em mente que a identidade do bipolar já é sólida ou definida enquanto a do borderline, não.

O borderline divide as pessoas em dois tipos bem restritos. Exemplo: ou uma pessoa é boa, só tem qualidades, ou ela é má, só tem defeitos. Não há um bom meio-termo. Mas veja; a opinião pode mudar: Se alguém que o borderline considera bom, perfeito, o decepciona fazendo algo real ou apenas imaginado, o borderline irá considerá-lo mau, tendo uma opinião oposta à anterior, sem achar um meio-termo. Quando são contrariados, despem-se de sentimentos, podendo fazer horrores com o seu contrariador. Usam muito de simulação e o principal foco é simular abandono e rejeição. Ao serem contrariados, sentem-se rejeitados, e a partir daí, perdem o controle. Por isso, podem ser confundidos com psicopatas.

 Se você já leu romances do século XIX, como Escrava Isaura, sabe o que é ver as pessoas divididas em apenas dois grupos restritos; porque nessas histórias os personagens ou são só qualidades (o mocinho, a mocinha, etc.) ou são só defeitos e maldade (o vilão, etc).

Na vida real, como sabemos, as pessoas têm qualidades e defeitos, e nem sempre é fácil dizer quem é bom e quem é mau. Em poucas palavras, ninguém é inteiramente bom; ninguém é inteiramente mau (a não ser para o boderline, é claro!). Sendo assim, já podemos dizer que a identidade e o humor do bipolar são diferentes dos do borderline; e que o borderline tem aquele pensamento extremista que divide as pessoas em dois tipos bem restritos.

Sobre depressão, algo que afeta tanto o borderline como o bipolar, pode-se afirmar que mesmo a depressão do borderline, intermitente, é diferente daquela do bipolar, contínua. Há outras diferenças, certamente, entre ambos os transtornos.Imagine um bipolar tipo I, que alterna fases de mania e de depressão. A mania durará pelo menos uma semana. A depressão, pelo menos dois meses.
Haverá periodos de vida normal. Isso quer dizer que o humor varia dentro de semanas ou meses. Não é a variação de humor que vemos num borderline por exemplo. Num borderline, o humor varia dentro de um tempo muito menor. Segundos, minutos, quando muito horas. Não há fases longas, por assim dizer.

É claro que há outras boas diferenças entre transtorno bipolar e transtorno borderline; e é claro que, dependendo do bipolar, as diferenças entre ambos os transtornos podem ser bem pequenas. Ainda há que se dizer: Tente se lembrar de histórias de amor interrompidas, vividas por bipolares. Obviamente, os bipolares não estão isentos de serem traídos, humilhados, maltratados, etc., como qualquer pessoa normal. Mas veja que muitas bipolares ainda pensam em seus ex-namorados e desejam reatar com eles um dia, ainda que agora vejam neles defeitos que antes elas não viam. Uma borderline veria o ex que a traiu ou a humilhou como um verdadeiro demônio, que só tem defeitos; e se ela antes o queria, agora já não o quer.

Instabilidade emocional (mudar de humor a cada segundo, a cada minuto), não saber direito o que quer (isso agora é bom, isso agora é ruim), achar alguém perfeito e depois a pior das pessoas, sem haver meio-termo, sem haver transição, essas são características que dizem respeito essencialmente ao borderline, ainda que possam nos lembrar bastante um bipolar. Veja: Se você é uma bipolar e ainda ama seu ex que a traiu ou a abandonou, isso mostra que, apesar das suas variações de humor, você ainda sabe o quer e percebe que, se ele não era perfeito, pelo menos não era tão mau assim… Uma borderline agiria de outro modo. O uso de medicações que estabilizam o humor é imprescindível nestes casos.

Enfim, diferentemente do que muitos pensam, instabilidade emocional não é Transtorno Bipolar, mas outro transtorno, que pode ser borderline. Na dúvida procure um profissional especializado.

Eu sou Borderline?

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais na sua IV versão, o transtorno de personalidade borderline é indicado quando detectados cinco ou mais dos seguintes critérios:
  1.  esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado; 
  2.  um padrão de relacionamentos instáveis e intensos, alterando entre a idealização e a desvalorização;
  3. perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da autoimagem; 
  4. impulsividade em pelo menos duas das áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por exemplo: sexo, gastos financeiros, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente);
  5. recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento auto mutilante;
  6. instabilidade afetiva devido a acentuada reatividade do humor e sentimentos crônicos de vazio; 
  7. raiva intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por exemplo: demonstrações frequentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes); 
  8. ideação paranoide transitória relacionada ao estresse.
Obs.: Para ter um diagnostico definitivo procure um profissional.

Existe uma cura para o Transtorno de Personalidade Borderline?

TPB pode ser curado? A palavra “cura” é relevante?

Eu, recuperada do TPB há 14 anos digo que ele pode ser superado, com certeza. Eu estou curada, não é? Aprender a identificar suas escolhas e assumir a responsabilidade por elas é o caminho para “a cura”.
É uma cura, por assim dizer. Claro que você sabia que eu ia dizer isso né? Eu me recuperei do TPB. Isso não significa que eu estou “curada”? É apenas semântica? Existe uma diferença significativa na terminologia antes e após a recuperação?
Tenha em mente que eu sempre pensei que quando se trata de transtornos de personalidade e de doenças mentais, geralmente usamos os termos recuperado ou curados. Cura parece, para mim, ser mais aplicável a doenças físicas. Como tenho experiência e, como muitos profissionais acreditam, a psicoterapia pode alterar a biologia do nosso cérebro. O debate continua.
Eu sei que existe uma maneira de ficar melhor e deixar para trás o TPB. No entanto, eunão pensaria nisso como uma cura singular, mas sim uma série de milhares de curas. Com isto quero dizer que cabe a cada indivíduo para desfazer o relacional – dano emocional que é o grande responsável pela reação = mecanismos de defesa e rigidez cognitiva do TPB. Milhares de “curas”, porque o TPB é como um transtorno de camadas abrangendo muitas questões. Todas estas questão tem que ser adequadamente solucionados para que a pessoa se recupere.
Eu sei que isso não é agradável de ler quando você tem TPB, mas o transtorno é uma série de escolhas inadequadas, no geral. Aprender novas maneiras saudáveis de se relacionar com você e com os outros, novas formas saudáveis de pensar, perceber, agir, ser e sentir levará ao amadurecimento emocional necessário para deixar para trás o TBP.
Muitos não gostam quando eu falo de escolhas, mas quando somos jovens fazemos escolhas, escolhas subconscientes que se tornam padrões e hábitos. TBP é uma personalidade “desordenada.” Nós fazemos escolhas a todo momento. E em alguns momentos, ou, no caso do TPB, talvez, grande parte desse tempo, não estamos mesmo cientes de todas as escolhas que estamos fazendo. Por exemplo, você pode sentir raiva de alguém por alguma coisa. Se você pensar só em si mesmo, ou nos seus sentimentos de raiva, o que você vai perder é o fato de que o estar zangado com alguém é uma escolha. É uma escolha que dói mais em você do que jamais doeria na  pessoa de quem você está com raiva. Se você não sabe que o seu comportamento ou atitude em relação a alguém é uma escolha, você definitivamente precisa de mais autoconsciência.
No meu processo de recuperação eu não pensava em ser ou ficar curada. Pensei em ficar melhor, me sentir melhor, trabalhando a minha dor e aprendendo a me relacionar com os outros de uma forma condizente com a minha idade e consistente. Eu tive que trabalhar no processo de recuperação e deixar para trás a dor de uma criança, a fim de “crescer”. Se você segurar a dor do seu filho (interno – você) e não curá-lo, ele irá retê-lo e mantê-lo preso no padrão de comportamento do TBP.
Recuperar-se do TPB é um processo longo de questões a desembaraçar, de idéias distorcidas, pensamentos, reações e percepções errôneas. É uma questão de escolhas que foram feitas em uma idade muito jovem como resultado da dor sentida, das necessidades não satisfeitas, das ameaças  físicos e / ou emocionais ou trauma. É preciso aprender a compreender como você faz escolhas, e isso irá permitir-lhe em seguida, tomar a responsabilidade para si, suas escolhas e suas ações não importando qual o motivo que você percebe como a causa deles. Esta é a pedra fundamental para a cura do TPB, simplesmente – RESPONSABILIDADE PESSOAL.
É só estando hoje do outro lado do TPB, que eu posso honestamente compreender quão ilógico meus pensamentos e percepções foram. O outro aspecto do TPB que muitos não trabalham é o medo. Muitos com TPB vivem suas vidas dentro e fora do medo. Reações automáticas ao medo sempre produzem reações aparentemente ilógicas.
Minha sugestão seria a de pensar no que você (que significa qualquer pessoa que está lendo, e não alguém especificamente) pode fazer para se sentir e ser melhor. O que você pode fazer para lamentar o que dói? O que você pode fazer para aprender a se relacionar com você mesmo e com os outros? Fique de olho nas mudanças pequenas. Dê-se crédito e esteja determinado a melhorar. Focalizar em uma “cura” pode ser uma maneira eficaz de manter-se preso e / ou sentir que é tudo demasiado. Tomando uma questão de cada vez e trabalhar duro para isso em sua vida e na terapia, sempre trabalhando para melhorar a sua auto-consciência é a maneira de dar um passo de cada vez no processo de cura
Recuperar-se do TPB (ou não) é uma escolha. Para a maioria dos limítrofes, a questão que precisa ser trabalhada são numerosas, entrelaçadas e interconectadas. Este problema pode não ter todos a mesma causa. Portanto a melhor maneira de se curar do TPB é adaptar-se a uma abordagem eclética. Encontre o que funciona para você, o que tem significado para você e permita-se continuar a desafiar a sua dor e percepções.
TBP não pode ser curado com uma pílula. TBP não pode ser curado pela terapia sozinha. TBP é superar ou se render aos acontecimentos em seu passado, é quando a pessoa amadurece emocionalmente ao ponto de encontrar as suas próprias necessidades, tendo o cuidado de si mesmo, possuindo a responsabilidade pessoal e finalmente ser capaz de nutrir e acalmar a si mesmo.
A cura para o TPB não é uma ilusão como você pôde ter pensado. Ela está dentro do “eu”que você precisa encontrar, conhecer e com quem você precisa ter uma boa relação.
Conhecer a si mesmo como um ser separado que esteja ligado a outras pessoas, como uma parte do todo, não como o centro do universo e não de forma  co-dependente é também uma grande parte do que significa ser recuperado do TPB.
Não espere por alguém para curá-lo, para tornar a sua vida, seus problemas, seu mundo melhor – as respostas que você precisa estão dentro de você. Trabalhe com seu terapeuta, mas entendendo que, enquanto outros podem ajudar você, é você que está no comando de sua própria recuperação.
© Ms. A.J. Mahari – 23 de dezembro de 2000, com a data 25 de janeiro de 2004 e dezembro de 2

A relação familiar com o "borderline"

A nossa experiência clinica tem nos mostrado que alguns familiares do TPB chegam  com um histórico  de conflitos e angústia muito grande , e oprimidos pelos sintomas do “borderline” , algumas famílias  buscam    como administrá-los  . É comum aos familiares do TPB vivenciarem um grande dilema na   convivência com o “borderline”. Esta relação familiar é marcada  por  sentimentos de preocupação, insatisfação , frustração, agressividade e raiva, tanto pela família quanto pelo TPB.
Há nos familiares certa tendência a aceitar os comportamentos destrutivos e impulsivos do TPB com a prerrogativa de que os amam e como forma de conter seus ataques.  Esta atitude  por si só não parece suficiente e não mudará a  dinâmica do TPB.  O borderline investe para que  seus interesses mais imediatos sejam atendidos, sendo hábeis em conseguir dos outros o que desejam. É comum mentir para eles,  criticá-los,  culpá-los, comprometê-los financeiramente ,mostrarem-se vingativos, e até mesmo provocarem suicídio.
Esta  é a forma que o borderline encontra para manter as pessoas perto de si. Seus relacionamentos são sempre muito intensos e permeado de impactos negativos. Eles são exigentes e colocam no outro a responsabilidade pelo seu bem estar. O familiar não deve aceitar essa exigência. É bom que os familiares tenham a  clareza daquilo  que esperam que aconteça na relação com o borderline : a  diminuição da tendência por parte do TPB do jogo manipulativo que ele propõe em suas relações pode ser um caminho.
É importante que as famílias  não assumam a posição de refém (por medo e culpa) pois dessa forma , o borderline  pode assumir controlar  a situação. Empatia , veracidade e  dados de realidade deve entrar na comunicação diária com o "borderline".  Compreender a dor do "borderline"  sem com isso ceder aos seus impulsos é imprescindível para a reestruturação da comunicação familiar. Amá-los também é colocar limites, perceber e não ceder as suas manipulações, ajudá-los a preservarem suas relações no dia a dia e a conterem sua impulsividade, para que eles não coloquem a própria vida e de outras pessoas em risco.
Por tudo isso conviver com o "borderline" é  difícil e o limite é necessário para se estabelecer um relacionamento mais equilibrado... O "borderline” necessita aprender a tolerar as frustrações. Eles precisam ser protegidos do seu próprio  comportamento impulsivo, agressivo e em geral destrutivo. Devem perceber através dos limites que tais atitudes afastam as pessoas das quais  depende.
O borderline  precisa de tratamento terapêutico e psiquiátrico, simultaneamente.
Acreditamos que o contexto familiar possa contribuir como um espaço facilitador para o desenvolvimento de novas habilidades psicossociais. Viver em permanente sentimento de impotência, incompetência pode levar os familiares do borderline  a um esvaziamento emocional e afetivo , já que todos os recursos  mostram-se insuficientes. Acolhimento e limite simultaneamente  é uma manobra delicada de se atingir, mas é através dela que a família pode colaborar para amenizar a dor que permeia esta relação. Ao dividirem estas emoções com profissionais , normalmente caminham para a construção de uma nova  estrutura familiar. 

Fonte: http://www.nucleovivo.com.br/2012/10/a-relacao-familiar-com-o-borderline.html

Dicas de leitura, vídeos e filmes para familiares e portadores do TPB.

LIVROS (colocarei diretamente o link do Amazon caso vocês queiram comprar algum)
-       http://www.amazon.com/The-Buddha-Borderline-Personality-Dialectical/dp/157224710X (é uma autobiografia de uma mulher que desde a sua adolescência luta contra o transtorno e encontra no budismo e na terapia dialética comportamental o caminho para sua recuperação)
-       http://www.amazon.com/Borderline-Personality-Disorder-Survival-    Guide/dp/1572245077/ref=pd_sim_b_3 (esse é um guia que explica muito bem o que é o transtorno e os mitos que envolvem a doença. É uma boa dica de leitura tanto paraFAMILIARES quanto para portadores)
-       http://www.amazon.com/Borderline-Personality-Disorder-Demystified-Understanding/dp/1569244561/ref=pd_sim_b_8 (este livro é também explicativo e o interessante é que o psiquiatra que o escreveu tinha uma irmã com o transtorno)
-       http://www.amazon.com/Overcoming-Borderline-Personality-Disorder-Healing/dp/0195379586/ref=pd_sim_b_14 ( este é um ótimo guia para FAMILIARES de portadores)
-       http://www.amazon.com/Girl-Need-Tourniquet-Borderline-Personality/dp/158005305X/ref=pd_sim_b_62 (essa é outra autobiografia bem interessante)
LIVROS EM PORTUGUÊS
-       http://www.clubedeautores.com.br/book/21332–Sensibilidade_a_Flor_da_Pele ( da Helena Polak, muito bom tanto para familiares como para portadores)
 SITES
-       http://www.borderlinepersonalitydisorder.com/ (este é o mais completo que conheço)
-       http://www.nytimes.com/2009/06/16/health/16brod.html – Essa é uma matéria do jornal The New York Times. Ela é bem completa e tem excelentes informações.
-       www.borderlinepersonalitysupport.com - esse é o da Tami Green, uma mulher que se recuperou do TPB e hoje dá aconselhamento e treinamento para pessoas com o transtorno e suas famílias. Lá vc encontra vídeos e artigos.
-       www.ReThinkBPD.com - esse é o da Amanda Wang, que está fazendo um documentário sobre TPB – ela tb é border.
-       www.fbpda.org - esse é o da Amanda Smith que mora na Florida e tb está em recuperação! Lá há infos sobre conferências, novas pesquisas, dicas de leitura, etc.
-       www.BPDdemystified.com - esse é o site do Dr. Robert O. Friedel, autor do livro “BPD Demystified”
-       www.behavioraltech.org - esse é o site de treinamento da Terapia Dialética Comportamental, da Dra. Marsha Linehan
-       National Education Alliance on Mental Illness(NAMI) www.nami.org - tb vc encontra mtas infos de qualidade e pode mandar um e-mail para eles pedindo os vídeos das conferencias.
-       http://www.fbpda.org/storage/SAMind_201007.pdf (Matéria da revista Scientific American Mind – “When The Passion is the Enemy). Essa matéria é a melhor que já li sobre o TPB e ganhou um prémio da Associação de Psiquiatria Americana- leitura essencial tanto para FAMILIARES quanto para portadores)
-       http://www.psychologytoday.com/search/query?page=1&keys=borderline&x=0&y=0 ( site que disponibiliza  artigos de especialistas sobre o TPB e outras patologias.)
-       http://bpdfamily.com/ (como o nome já diz, esse é um site para FAMILIARES)
-       http://www.dbtselfhelp.com/ (site que ensina técnicas da terapia dialética comportamental. São simples e você pode usá-las no seu dia a dia).
VÍDEOS E CANAIS NO YOUTUBE
-       http://www.youtube.com/user/MeAndMyBlackTable?feature=g-all-u (esse sem dúvida é o melhor canal no youtube sobre o TPB. O rapaz é holandês (mas fala em inglês) e tem uma variedade grande de vídeos desde auto-mutilação até relacionamentos.)
-       http://www.youtube.com/user/bpdsupport (canal da Tami Green, uma borderline recuperada. Didático e como já sitei anteriormente ela é coaching de portadores e familiares do TPB e tem também o site com o mesmo nome)
-       http://www.youtube.com/user/RethinkBPD (canal da Amanda Wang, uma boxeadora que luta contra o TPB e é ativista na educação do transtorno. Vale muito a pena ver os vídeos dela. Também tem o site com o  mesmo nome do canal)
http://www.youtube.com/user/NEABPD (conferencias de especialistas e portadores sobre o TPB – muito bom para FAMILIARES)
FILMES:
http://www.youtube.com/watch?v=967Ckat7f98 (“BACK FROM THE EDGE” Documentário sobre o TPB – para FAMILIARES e portadores)

Por que algumas pessoas com o Transtorno de Personalidade Borderline se auto-mutilam?

A auto-mutilação é um dos maiores sintomas do transtorno de personalidade borderline. É tão característico ao transtorno que alguns profissionais dão um diagnóstico de TPB a um paciente até mesmo se nenhum outro sintoma estiver acontecendo. Mas muitas pessoas ainda estão no escuro quando se fala de auto-mutilação: Por que as pessoas fazem isso? O que se consegue se ferindo? Como se aproximar se alguém que se auto-mutila?

Porque as pessoas se auto-mutilam:

A auto-mutilação é um ato deliberado de se machucar com uma esperança paradoxa que ferir o corpo irá parar a dor mental e emocional. Ao contrário da crença popular, não é uma tentativa de suicídio. é incerto o número de americanos que fazem isso: um estudo da universidade de Missouri—Columbia reportou que aproximadamente 3 milhões de americanos se auto-mutilam, um artigo da Time reportou que dois milhões o faziam. Não importando o número, é sim um problema sério.

A primeira pessoa da alta sociedade a admitir que ela se mutilava foi Lady Diana Spencer (aka Princesa Diana). Ela deu uma das melhores descrições que eu já vi sobre isso: "Você tem tanta dor dentro de si que tenta e se machuca por fora porque quer ajuda."

Eu pessoalmente faço isso para ganhar força. Na minha lógica distorcida, se eu não tenho medo da dor, posso superar a dor causada por alguma situação e fazer algo.

O que se consegue pela auto-mutilação

Auto-mutilação é sobre sobrevivência. É uma maneira de dar voz ao que não se consegue dizer. É uma forma de aliviar a dor. Lembre disso e você poderá entender - pelo menos intelectualmente.

As pessoas que se auto-mutilam não o fazem para morrer, apesar de haver um link entre isso e o suicídio. Eles não o fazem para chamar atenção. eles o fazem como habilidade para lidar com algo - negativa, claro, mas ainda assim uma habilidade. Como Fiona Apple disse: "Nunca era assim: 'Vou me ferir e me colocar num hospital' ... É eu dando a mim mesma a dor que preciso para colocar um ponto no que estava havendo dentro de mim."

O músico Richey Edwards escreveu: "Quando eu me corto me sinto muito melhor. Todas as coisas pequenas que possam ter me irritado de repente parecem tão triviais porque eu estou me concentrando na dor."

Ele continua: "É tudo sobre auto-disciplina. Assim, auto-obsessão completamente conectada com uma aversão a si mesmo, é o mesmo que... humm... se você tivesse um problema com o peso... é sobre... encontrar algum valor em si mesmo, saber que você tem a disciplina para fazê-lo e saber que outras pessoas talvez não consigam. E é também, eu acho, bem conectado ao fato de que você quase se sente... como dizer, silencioso, você não tem voz, é mudo, não há, você simplesmente não tem opção. Mesmo se tivesse como se expressar ninguém ouviria de qualquer forma. As coisas que acontecem dentro de você, não há outra forma de se livrar delas."

Como se aproximar de alguém que se auto-mutila.

No livro "In If Nobody Speaks of Remarkable Things", John McGregor escreveu: “Eu quero que alguém me veja, eu quero alguém que entre correndo, me pegue e diga ei, o que você está fazendo, ei, vamos lá, o que há de errado?” Esta é a melhor forma de se aproximar de quem se auto-mutila: conversar com eles e perguntar o que há de errado.

Não julgue. Não assuma que a pessoa está fingindo, nem que é para chamar atenção. Tente entender que ela está sofrendo e tente ajudá-la a encontrar outra forma de lidar com a dor. Indique a pessoa a um terapeuta se necessário, ou peça-a para ligar para seu próprio terapeuta. Ponha limites, mas não dê um ultimato. Se eduque. Mas principalmente, esteja lá.

No fundo, por mais que seja difícil falar sobre isso, queremos falar. Por favor escute.

(tradução livre do artigo "Why Some People with BPD Self-Injure")

Bem, tenho que dizer: I'm a cutter. Eu me corto. Inspirada no post do Rick sobre suicídio, resolvi falar que realmente acho que estou me viciando nisso. É como droga. É um efeito muito rápido e muito louco. Não, não estou sugerindo que façam isso. Não me orgulho e já falei aqui algumas vezes quando me cortei. Dói e não pára, eu me frustro e me corto. As vezes queria gritar isso, mas não... Porque não o faço pra chamar atenção. eu sei que preciso de ajuda, preciso parar, mas a dor precisa me dar uma trégua de vez em quando.
Sei que aqui não serei julgada e provavelmente só aqui e na terapia se sabe como me sinto.

Fonte: http://borderline-girl.blogspot.com.br/2013/04/por-que-algumas-pessoas-com-o.html

Personalidade Borderline

Diversos autores o utilizam o termo borderline, há mais de um século, para se referir a um grupo de pacientes que se caracterizam, basicamente, por apresentar uma alteração na fronteira (ou na borda) entre a neurose e a psicose.
Como acontece sempre em psiquiatria com outros diagnósticos, o termo Transtorno Borderline tem uma longa história, passando por diversos conceitos e denominações ao logo do tempo. A primeira vez que aparece o termo borderline é em 1884. Nesse ano,Hughes (psiquiatra inglês) designa assim aos estados borderline da loucura, definindo assim essas pessoas que passaram toda sua vida de um lado a outro da linha da sanidade. Alguns autores da época usavam esse diagnóstico quando havia sintomas neuróticos graves.
Bleuler considerava os pacientes portadores de uma esquizofrenia latente como se fossem estados borderline. Freud, em “O homem dos lobos”, descreve um caso diagnosticado como neurose obsessiva, mas que à luz das investigações atuais e a revisão psicopatológica poderia ser entendido como um caso de patologia borderline.
Henry Claude falava de esquizomanias, Merenciano (Francisco Marco Merenciano, Psicosis Mitis – Los enfermos mentales que consultan al internista) introduz o termo “psicose mitis” para descrever esses pacientes, Wilhelm Reich usa o termo “caráter impulsivo”.      
Em 1927 Franz Alexander classifica os estados borderline dentro do que denomina de “caráter neurótico”, e realmente, na época de Alexander tudo o que parecia fortemente constitucional, irremovível, sabiamente era chamado de problemas de caráter. Stern, em 1938, finalmente formaliza o termo borderline. Refere-se a uma espécie de “hemorragia mental”, desencadeada por grande intolerância à frustração. Os enfermos têm o sentimento permanente de estar magoados, injuriados e feridos emocionalmente.
Em 1947, Melita Schmideberg enfatiza a grande instabilidade desses pacientes, ressaltando ser o traço mais característico a falta de sentimentos normais e o profundo transtorno da pessoalidade. Fenichel utiliza o termo “esquizofrenia marginal”, Hoch e Polatin falam em “esquizofrenia pseudoneurótica” e, na mesma linha, Henri Ey usa o termo esquizoneurose.
Em 1967, Grinker e outros descrevem a síndrome borderline, cujas características seriam:
1. - Sentimento de raiva como afeto único ou essencial;
2. - Anáclise* como transtorno nas relações objetais (aderência patológica – veja Depressão Anaclínica);
3. - Ausência de auto-identidade consistente (instabilidade);
4. - Depressão sem sentimento de culpa, sem auto-acusação ou remorso. 

* -  anaclise; ing. anaclisis = em psicanálise, tendência para se apoiar afetivamente, moralmente e de maneira exclusiva numa ou em diversas pessoas.)
Mahler faz uma a classificação evolutiva entre duas apresentações de Borderline:
1. - Estados borderline aparentemente bem adaptados, que geralmente não procuram ajuda especializada;
2. - Síndrome borderline, com sintomas de depressão de abandono, fixação oral e medo ou preocupação obsessiva de abandonado.
Gunderson explora cinco áreas na avaliação do Transtorno Borderline:
1. - A adaptação social: aparentemente sem dificuldades;
2. - Impulsos e ações: atitudes impulsivas, drogadição, álcool, auto-agressão, promiscuidade, bulimia;
3. - Afetividade: depressão, raiva, ansiedade e desespero;
4. - Eventuais surtos psicóticos: normalmente breves, reativos e pouco severos;
5. - Relações interpessoais: não suportam a solidão e o abandono, necessitam do outro em tempo integral, a todo o momento, são francamente dependentes, masoquistas e manipuladores.

Grinker RR Sr.-  Diagnosis of borderlines: a discussion, Schizophr Bull. 1979;5(1):47-52.
Gunderson JG, Kolb JE, Austin V - The diagnostic interview for borderline patients, Am J Psychiatry 1981; 138:896-903
Mahler MS - Significance of the separation and individuation process for the evaluation of borderline phenomena, Psyche (Stuttg). 1975 Dec;29(12):1078-95
Carlos Paz realiza uma experiência psicanalítica no tratamento do transtorno borderline. Encontra:
1. - Transtornos na relação com a realidade, na qual ha alterações grosseiras ainda que transitórias, sem perda do juízo da realidade.
2. - Transtornos do pensamento sob a forma de idéias de referência e paranóia,
3. - Transtornos no controle dos impulsos com explosões de raiva, violência e agressão.
4. - Transtornos da sexualidade com fantasias sexuais sadomasoquistas, atividade masturbatórias com fantasias eróticas perversas, promiscuidade e, eventualmente, impotência.
5. - Presença de ansiedades confusionais;
6. - Vínculo com o terapeuta característico, com viscosidade, aderência e manipulação. Nos casos mais graves esses fenômenos de transferência problemática são bastante primitivos e intensos, chamados por alguns autores de “transferência delirante”, ou ainda de “transferência psicótica.
Há pessoas, simpáticas e agradáveis aos outros, que se comportam de maneira totalmente diferente com as pessoas de sua intimidade. São explosivas, agressivas, intolerantes, irritáveis, com tendência a manipular pessoas.... São pessoas comTranstorno Borderline da Personalidade. Outros conseguem ser desarmônicos dentro e fora do lar; podem ser os Sociopatas.
A patologia borderline, hoje em dia é, sem dúvida, uma problemática psicossocial importante, já que freqüentemente se associam a quadros de drogadição, alcoolismo e violência.
Certos autores comparam ao paciente borderline atual com os histéricos do final do século XIX e princípios do século XX. Consideram as patologias equivalentes e não sem uma boa dose de razão, considerando a histeria dita de caráter.
Uma classificação bastante didática divide o Transtorno Borderline em 4 grupos clínicos:
Grupo A: Borderline com predomínio de características esquizóides e/ou paranóides, mais próxima das psicoses.
Grupo B: Borderline com predomínio de características distímicas e afetivas.
Grupo C: Borderline com predomínio de características anti-sociais e perversas (corresponderiam ao grupo de Transtorno de Pessoalidade Borderline, propriamente dito, satisfazendo quase todos os critérios do DSM IV).
Grupo D: Borderline com predomínio de características neuróticas (obsessivo-compulsivas, histéricas e fóbicas) graves.
Esta classificação tem objetivo mais didático que prático, porquanto na prática cotidiana observamos com maior freqüência a ocorrência de casos mistos.

Na CID.10

Na atual classificação da Organização Mundial de Saúde (CID.10), o distúrbio denominado Personalidade Borderline está incluído no capítulo dos Transtornos de Personalidade Emocionalmente Instável. Este transtorno se subdivide em 2 tipos; oTipo Impulsivo e o Tipo Borderline. O subtipo Impulsivo é sinônimo do que conhecemos por Transtorno Explosivo e Agressivo da Personalidade.
Primeiramente vejamos do que se trata o Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável. A CID.10 diz que se trata de um transtorno de personalidade, no qual há uma tendência marcante a agir impulsivamente e sem consideração das conseqüências, juntamente com acentuada instabilidade afetiva.
Nessas pessoas a capacidade de planejar pode ser mínima e os acessos de raiva intensa podem, com freqüência, levar à explosões comportamentais e de violência. Essas explosões costumam ser facilmente precipitadas, principalmente quando esses atos impulsivos são criticados ou impedidos por outros.
Ambos tipos desse transtorno de personalidade compartilham a impulsividade e a falta de autocontrole; o Tipo Impulsivo e o Tipo Borderline. O Tipo Impulsivo se traduz predominantemente por instabilidade emocional e falta de controle de impulsos. Aqui os acessos de violência ou comportamento ameaçador são comuns, particularmente em resposta a críticas de outros. Com essas características o transtorno de personalidade pode ser chamado também de Transtorno Explosivo Intermitente
No Tipo Borderline ou Limítrofe várias características de instabilidade emocional estão presentes. Somado à impulsividade, há perturbação variável da auto-imagem, dos objetivos e das preferências internas, incluindo a sexual.
O paciente Borderline freqüentemente se queixa de sentimentos crônicos de vazio. Há sempre uma propensão a se envolver em relacionamentos intensos mas instáveis, os quais podem causar nessas pessoas, repetidas crises emocionais. A CID.10 diz ainda que esses pacientes se esforçam excessivamente para evitar o abandono, podendo haver quanto a isso, uma série de ameaças de suicídio ou atos de autolesão.

No DSM.IV

Como sempre, a melhor descrição da Personalidade Borderline está no DSM.IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais, da Associação Norte-Americana de Psiquiatria). Pelo DSM.IV vê-se que a característica essencial doTranstorno da Personalidade Borderline é um padrão comportamental de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na auto-imagem e nos afetos. Há uma acentuada impulsividade, a qual começa no início da idade adulta e persiste indefinidamente.

Características do Ego e do Comportamento

Patologicamente podemos dizer que a pessoa portadora de Personalidade Borderline, embora seja bem menos perturbada que os psicóticos, são muito mais complexas que os neuróticos. Entretanto, não apresenta deformações de caráter típicas das personalidades sociopáticas. Na realidade, o Borderline tem séria limitação para usufruir as opções emocionais diante dos estímulos do cotidiano e, por causa disso, só costuma enfurecer diante dos pequenos estressores.
São indivíduos sujeitos a acessos de ira e verdadeiros ataques de fúria ou de mau gênio, em completa inadequação ao estímulo desencadeante. Essas crises de fúria e agressividade acontecem de forma inesperada, intempestivamente e costumam ter por alvo pessoas do convívio mais íntimo, como por exemplo os pais, irmãos, familiares, amigos, namoradas, cônjuges, etc.
Embora o Borderline mantenha condutas até bastante adequadas em bom número de situações, ele tropeça escandalosamente em outras triviais e simples. O limiar de tolerância às frustrações é extremamente susceptível nessas pessoas.
O curto-circuito agressivo expresso pelo Borderline sob a forma de crise pode desempenhar várias funções psicodinâmicas, como por exemplo, aliviar o excedente de tensão interna, impedir maior conflito e frustração, ressaltar a presença do paciente, ainda que de forma desagradável e ineficaz, melhorar a auto-afirmação, obrigar o ambiente a reconhecer sua importância, ainda que para se lhe opor ou confrontar.
Borderline também está sujeito a exuberantes manifestações de instabilidade afetiva, oscilando bruscamente entre emoções como o amor e ódio, entre a indiferença ou apatia e o entusiasmo exagerado, alegria efusiva e tristeza profunda. A vida conjugal com essas pessoas pode ser muito problemática, pois, ao mesmo tempo em que se apegam ao outro e se confessam dependentes e carentes desse outro, de repente, são capazes de maltratá-lo cruelmente.
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline se esforçam freneticamente para evitarem um abandono, seja um abandono real ou imaginado. A perspectiva da separação, perda ou rejeição podem ocasionar profundas alterações na auto-imagem, afeto, cognição e no comportamento. O Borderline vive exigindo apoio, afeto e amor continuadamente. Sem isso, aflora o temor à solidão ou a incapacidade de ficar só, em presença de si mesmo.
Esses indivíduos são muito sensíveis às circunstâncias ambientais e o intenso temor de abandono, mesmo diante de uma separação exigida pelo cotidiano e por tempo limitado, são muito mal vivenciadas pelo Borderline. Esse medo do abandono está relacionado a uma grande intolerância à solidão e à necessidade de ter outras pessoas consigo. Seus esforços frenéticos para evitar o abandono podem incluir ações impulsivas, tais como comportamentos de auto-mutilação ou ameaças de suicídio.
A tendência a alguma forma de adição, como o álcool, remédios, drogas, ou mesmo o trabalho desenfreado, o sexo insistentemente perseguido, o esporte, alguma crença, etc., refletem uma busca desenfreada de "um algo mais" que lhe complete e lhe dê sossego.
Segundo Marco Aurélio Baggio, quem melhor descreve o Ego desses pacientes, os Borderlines são pouco capazes de se empenharem numa tarefa com persistência e acuidade. Desistem do esforço e circulam em torno daquilo que é preciso fazer mas não fazem. Em relação ao contacto inter-pessoal, eles têm uma tendência a atacar o outro do qual dependem, como forma de camuflar a grande necessidades de dependência. São habilidosos em estimular o outro a lhes propiciar aquilo que precisam, mas recebem tudo o que lhe fazem como quem nada deve.
A personalidade do Borderline é uma peça de teatro onde os atores coadjuvantes estão sempre esperando ele, o ator principal. Trata-se de um ego que não tolera o vazio, a separação, a ausência, não sabe superar com equilíbrio os conflitos.

Características de Personalidade e Comportamento

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline têm um padrão de relacionamentos instável e, ao mesmo tempo, intenso. Na vida a dois, eles podem desenvolver intenções de protetores ou amantes já no primeiro ou no segundo encontro, exigir que passem muito tempo juntos e compartilhem detalhes extremamente íntimos ainda na fase inicial de um relacionamento. Essas pessoas podem sentir empatia e carinho por outras pessoas, entretanto, tais sentimentos são frutos exclusivos da expectativa de que a outra pessoa estará lá para atender suas próprias necessidades de apoio, carinho e atenção.
Pode haver no Borderline, uma rápida passagem da idealização elogiosa para sentimentos de desvalorização, por achar que a outra pessoa não se importa o suficiente com ele, não dá o bastante de si, não se mobiliza o suficiente. Portanto, são insaciáveis em termos de atenção. Eles são inclinados a mudanças súbitas em suas opiniões sobre os outros.
A inconstância do Borderline se observa também em relação ao juízo que tem de si mesmo e de sua vida. Ele pode ter súbitas mudanças de opiniões e planos acerca de sua carreira, sua identidade sexual, seus valores e mesmo sobre os tipos de amigo ideal.
Os indivíduos com este transtorno exibem impulsividade em áreas potencialmente prejudiciais para si próprios, tais como nos esportes, nos jogos de azar, no consumo de tabaco, álcool, drogas, etc. Eles podem jogar, fazer gastos irresponsáveis, comer em excesso, abusar de substâncias, engajar-se em sexo inseguro ou dirigir de forma imprudente. As pessoas com Transtorno da Personalidade Borderline podem apresentar comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou comportamento auto-mutilante .
O suicídio completado costuma ocorrer em 8 a 10% desses indivíduos impulsivos, e os atos de auto-mutilação também impulsivos, como por exemplo, cortes ou queimaduras também são comuns. Esses atos auto-destrutivos geralmente são precipitados por ameaças de separação ou rejeição, por expectativas de que assumam maiores responsabilidades ou mesmo por frustrações banais.
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline podem apresentar instabilidade afetiva, devido a uma acentuada reatividade do humor, como por exemplo, euforia ou depressão (disforia) episódica, irritabilidade ou ansiedade, em geral durando apenas algumas horas. O humor disfórico (euforia ou depressão) dos indivíduos comTranstorno da Personalidade Borderline muitas vezes é acompanhado por períodos de raiva, pânico ou desespero.
Essas pessoas ficam facilmente entediadas, não aceitam bem a constância ou mesmo a serenidade, e podem estar sempre procurando algo para fazer. Os sentimentos agressivos dessas pessoas não costumam ser dissimulados e eles freqüentemente expressam raiva intensa e inadequada ou têm dificuldade para controlar essa raiva. Eles podem exibir extremo sarcasmo, persistente amargura ou explosões verbais. Por outro lado, essas expressões de raiva freqüentemente são seguidas de vergonha e culpa e contribuem para o sentimento de baixa auto-estima.

Curso e Prevalência

Transtorno da Personalidade Borderline é diagnosticado predominantemente em mulheres, as quais compões cerca de 75% dos casos. Quanto à prevalência, estima-se em cerca de 2% da população geral, ocorrendo em cerca de 10% dos pacientes de consultórios psiquiátricos e em cerca de 20% dos pacientes psiquiátricos internados. Entre os portadores de Transtornos da Personalidade em geral, a prevalência doTranstorno da Personalidade Borderline varia de 30 a 60%.
O curso do Transtorno da Personalidade Borderline é instável, começando esse distúrbio no início da idade adulta, com episódios de sério descontrole afetivo e impulsivo. O prejuízo resultante desse transtorno e o risco de suicídio são maiores nos anos iniciais da idade adulta e diminuem gradualmente com o avanço da idade. Durante a faixa dos 30 e 40 anos, a maioria dos indivíduos com o transtorno adquire maior estabilidade em seus relacionamentos e funcionamento profissional.
Também se sabe que o Transtorno da Personalidade Borderline é cerca de cinco vezes mais freqüente entre parentes biológicos em primeiro grau também com o transtorno do que na população geral.

Quadro Clínico

É conveniente explicitar o marco teórico referencial no qual nos baseamos para o diagnóstico. Este está sustentado pelos aportes de distintas escolas, entre elas, a psicanalítica americana, britânica e francesa.
A escola americana põe ênfase na labilidade do Ego ou do self e na difusão da identidade. Melita Schmideberg admite que o Borderline apresenta transtornos em quase todas as áreas da pessoalidade, principalmente nas relações interpessoais, na profundidade (qualidade) dos sentimentos, na identificação e na empatia, na atitude social, no controle da vontade (volição), na capacidade para o trabalho, na necessidade de prazer, na vida sexual, no controle das emociones, na vida das fantasias, na elaboração e valoração dos ideais e no planejamento das metas da vida.
Suas relações com o objeto são superficiais, carecendo de profundidade de sentimentos, de constância, empatia e consideração pelos demais. Também apresenta transtornos de caráter de nível variado e os sintomas clínicos são: 

1. - Angustia

É crônica e difusa. Trata-se de um afeto contínuo e surdo mas que, no obstante, pode se manifestar como uma crise de angústia aguda e com sintomas somáticos correspondentes. Pode sobrevir uma crise histérica com comprometimento de todas as funções psíquicas, juntamente com manifestações somáticas variadas, tais como vertigem, taquicardia e outros característicos do Transtorno de Ansiedade Aguda.
A desrealização e a despersonalização aparecem como extremos dessas crises, também acompanhadas de sintomas somáticos. É uma angústia ligada à perda de sentido, tal como foi observada por Freud quando diante de perspectivas ou ameaças de separação. 

2. - Incapacidade para sentir

Às vezes o paciente experimenta a consciência de um vazio afetivo, despersonalização e incapacidade para sentir emoções. Outras vezes encenam episódios do tipo histérico, com reações emocionais exageradas, ingerem álcool ou drogas, cometem delitos ou têm relações sexuais patológicas para libertar-se da sensação de vazio existencial.
Ainda que não consigam experimentar emoções genuínas, também não podem suporta-las caso existam. Protegem-se contra os sentimentos mantendo as relações em um nível superficial ou mudando freqüentemente de trabalho, de amigos ou do lugar onde vivem.
Isso pode explicar a grande instabilidade dos pacientes Borderlines. Schmideberg disse que os Borderlines são, fundamentalmente, não sociais e alguns, declaradamente anti-sociais. Uma das manifestações da instabilidade é a instabilidade afetiva, que pode perturbar suas relações sociais.
No plano ocupacional também se mostram instáveis. Mesmo que esses pacientes tenham condições intelectuais normais, falta-lhes capacidade para a concentração, para a perseverança e para o desejo para um esforço mais firme. Outros fatores que contribuem para a instabilidade ocupacional são sua baixa tolerância à frustração, hipersensibilidade às críticas e a expectativa de conseguir recompensas totalmente desproporcionais. Também deve ser destacada a incapacidade para os Borderlinesaceitar as regras e a rotina. Por tudo isso eles acabam sendo despedidos de seus empregos ou que eles mesmos pedem demissão.  

3. - Depressão

A depressão do Borderline se caracteriza, basicamente, por sentimentos de vazio e solidão. A diferença do que ocorre no verdadeiro depressivo, no qual existe medo da destruição do objeto amado, no caso do Borderline ha explosões de ira ou raiva contra o objeto considerado frustrante.  

4. - Intolerância à solidão

A modalidade de relação com o objeto é do tipo anaclítica (procure por Depressão Anaclínica no dicionário). A intolerância a estar só se manifesta como um afã de prender-se vorazmente, através da voz ou da presença física do outro, ou em determinados casos por intermédio do objeto droga, álcool ou alimento, segundo seja a adicção, como tentativa frustrada de supressão da falta. Na realidade, toda tensão de separação é intolerável ao Borderline,  produzindo as condutas de aderência exagerada ao objeto. 

5. - Anedonia

Anedonia é a incapacidade de sentir prazer. Existe sempre no paciente Borderline uma insatisfação permanente e manifesta, uma frustração constante e os objetivos de prazer que pretendem nunca chegam consegui-los, são para eles, inalcançáveis. Ou, pior ainda, quando são alcançados, perdem valor imediatamente. No pacientes Borderline a tendência a evitar o desprazer se faz mais forte que a busca do prazer. 

6. - Neurose poli-sintomática

O paciente borderline pode apresentar dois ou mais dos seguintes sintomas:
a) Fobias múltiplas, geralmente graves, especialmente a agorafobia. A relação com o objeto está submetida à regulação da distância com mecanismos agorafóbicos e claustrofóbicos. Essas sensações associadas a tendências paranóides, originam serias inibições sociais.
b) Sintomas obsessivos-compulsivos. Normalmente esses sentimentos, muito repudiados pelo portador de TOC, são Ego Sintônicos no paciente Borderline, inclusive com tendência a racionalização.
c) Múltiplos sintomas de conversão (histéricos), geralmente crônicos.
d) Reações dissociativas (histéricas).
e) Transtornos de consciência,  Estados Crepusculares, fugas e amnésias.
f) Hipocondria e exagerada preocupação por a saúde e temor crônico a enfermar. Refere-se não só ao corpo, mas também à mente. Descrevem minuciosamente seu mal-estar, com reações e sensações esdrúxulas. É comum o medo de enlouquecerem.
g) Tendências paranóides com idéias deliróides persecutórias.
h) Descontrole dos impulsos. Este descontrole impulsivo pode ser ego diatônico ou ego sintônicos. O alcoolismo, drogadição, bulimia, compras descontroladas, cleptomania, são sintomas impulsivos comuns entre os Borderlines. 

8. - Tendências sexuais não-normais (Parafilias)

Podem coexistir varias tendências em forma de fantasias ou de ações. As formas bizarras de sexualidade, principalmente as que manifestam agressão ou substituição primitiva dos fins genitais, tais como atitudes eliminatórias (urinar, defecar). Às vezes a homossexualidade pode funcionar como defesa contra a sensação e a ansiedade de abandono.
A homossexualidade costuma representar a busca de gratificação das necessidades orais. Pode também manifestar relações homossexuais sadomasoquistas e promíscuas. 

9. - Episódios Psicóticos Breves 

Aqui se incluem a desrealização e despersonalização. As idéias de auto-referência e os quadros paranóides predominam nesses Episódios Psicóticos Breves. As manifestações clínicas seriam: transtornos paranóides, depressões com idéias de suicídio, Episódios Maníacos, quadros de automutilação. Esses episódios agudos costumam ser reativos, normalmente à ruptura de algum vínculo.   

10) Adaptação social 

Existem várias possibilidades para o contacto social borderline. A evitação, por exemplo, acontece nos casos do borderline esquizóide e depressivo, mas o relacionamento interpessoal também pode ter características anti-sociais. Em geral, as relações interpessoais costumam estar prejudicadas e nas reações paranóides, tão comuns entre esses pacientes, a conduta social pode ser agressiva.

Critérios Diagnósticos para F60.31 - 301.83 Transtorno da Personalidade Borderline 
 Um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes critérios:
(1) esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado.
Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5
(2) um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização
(3) perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou do sentimento de self
(4) impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente).
Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5
(5) recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante
(6) instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (por ex., episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias)
(7) sentimentos crônicos de vazio
(8) raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por ex., demonstrações freqüentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes)
(9) ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou severos sintomas dissociativos

Aspectos médico-legais do Borderline

Transtorno Borderline da Personalidade é considerado um transtorno fronteiriço ou limítrofe entre uma modalidade não-normal da personalidade relacionar-se com o mundo e um estado que pode ser considerado francamente patológico. Assim sendo, cada caso de paciente dito borderline deve ser considerado à parte.
O paciente borderline pode ser objeto de apreciação jurídica e legal quando a gravidade de seu transtorno de personalidade é importante o suficiente para produzir um sério transtorno psíquico de insanidade e incapacidade de auto-determinar-se.
A capacidade civil de uma pessoa deve estar condicionada à sua maturidade mental. Classicamente, Krafft-Ebing (Krafft-Ebing, Medicina legal, España Moderna Madrid, 1992.) distingue 3 elementos fundamentais para que a pessoa seja considerada capaz e, através dessa capacidade possa adquirir os direitos e deveres da vida em sociedade:
a) "conhecimento e consciência" dos direitos e deveres sociais e das regras da vida em sociedade.
b) "juízo crítico" suficiente para a aplicação do item anterior.
c) "firmeza de vontade (volição)" para decidir com liberdade.
Conforme se vê na prática, e mesmo de acordo com o curso e evolução do Transtorno Borderline referido na literatura internacional, não se pode dizer que esses pacientes sejam considerados insanos, quer pela carência de sintomas psicóticos, quer pela carência de prejuízo do juízo crítico, ambos necessários para atestar-se a insanidade.
Entretanto, atualmente tem-se enfatizado não apenas as características psicopatológicas do paciente (réu) em apreço mas, sobretudo, uma série de circunstâncias vivenciais de alguma forma atreladas ao ato delituoso. Circunstâncias atenuantes, por exemplo, encontramos no caso da embriaguez habitual ou uso de estupefacientes. Nesses casos, a pessoa poderá inabilitar-se judicialmente, caso estejam expostos a perpetrar atos jurídicos prejudiciais a si próprio ou ao patrimônio.
Na justiça espanhola, essa questão de eventual prejuízo do patrimônio, visa a proteção econômica (e social) dos familiares do Borderline. Trata-se da doutrina da semicapacidade, uma solução técnica do direito contemporâneo para atenuar os efeitos da alteração psíquica de certas pessoas em relação ao prejuízo sobre demais pessoas mas, nem sempre, atenuando a punibilidade em relação à sua própria pessoa.
Como se vê, a figura de inabilitação e semicapacidade tem menor alcance que a declaração de incapacidade por demência e, na prática, representa um recurso de proteção mais patrimonial que pessoal. Essa atitude tem como um dos objetivos, prevenir a dilapidação do patrimônio familiar pelo Borderline, com freqüência viciado em jogo, drogas, álcool, etc.
O direito penal se relaciona com a psiquiatria forense através do conceito de imputabilidade. Imputar significa atribuir algo a uma pessoa e esta, só será imputável, quando se encontra em condições de valorizar e ajuizar seus atos e as conseqüências que deles resultam. Resumindo, podemos dizer que a pessoa é imputável quando é responsável sobre a culpabilidade de seus atos.
Alguns autores (Nestor Ricardo Stingo, Maria Cristina Zazzi, Liliana Avigo, Carlos Luis Gatti) acham que a pessoa Borderline pode ser inimputável nos casos onde haveria um estado de inconsciência, notadamente por intoxicação por drogas ou álcool ou, ainda, devido a alteração mórbida das faculdades mentais. Este último caso, quase exclusivamente diante da presença de sintomas psicóticos.
Evidentemente existem situações muito mais difíceis de se atestar o grau de responsabilidade da pessoa Borderline. Essas se relacionam, basicamente, com os episódios de descontrole impulsivo. Nesses casos estaria em jogo não a questão psiquiátrica (de diagnóstico) mas, a questão psicológica da circunstância. O dilema dessas questões está, exatamente, no fato dessas pessoas entenderem e compreenderem a gravidade de seus atos mas, não obstante, serem incapazes de auto-controlarem suas condutas.
Entretanto, nunca devemos esquecer que as questões referentes à capacidade, incapacidade, imputabilidade e inimputabilidade são conceitos estritamente jurídicos, competem estritamente ao juiz, sendo a função da medicina apenas assessorar a justiça através de laudos e perícias.

Para referir:
Ballone GJ, Moura EC Personalidade Borderline- in. PsiqWeb, Internet, disponível emhttp://virtualpsy.locaweb.com.br/www.psiqweb.med.br/, revisto em 2008.