A nossa experiência clinica tem nos mostrado que alguns familiares do TPB chegam com um histórico de conflitos e angústia muito grande , e oprimidos pelos sintomas do “borderline” , algumas famílias buscam como administrá-los . É comum aos familiares do TPB vivenciarem um grande dilema na convivência com o “borderline”. Esta relação familiar é marcada por sentimentos de preocupação, insatisfação , frustração, agressividade e raiva, tanto pela família quanto pelo TPB.
Há nos familiares certa tendência a aceitar os comportamentos destrutivos e impulsivos do TPB com a prerrogativa de que os amam e como forma de conter seus ataques. Esta atitude por si só não parece suficiente e não mudará a dinâmica do TPB. O borderline investe para que seus interesses mais imediatos sejam atendidos, sendo hábeis em conseguir dos outros o que desejam. É comum mentir para eles, criticá-los, culpá-los, comprometê-los financeiramente ,mostrarem-se vingativos, e até mesmo provocarem suicídio.
Esta é a forma que o borderline encontra para manter as pessoas perto de si. Seus relacionamentos são sempre muito intensos e permeado de impactos negativos. Eles são exigentes e colocam no outro a responsabilidade pelo seu bem estar. O familiar não deve aceitar essa exigência. É bom que os familiares tenham a clareza daquilo que esperam que aconteça na relação com o borderline : a diminuição da tendência por parte do TPB do jogo manipulativo que ele propõe em suas relações pode ser um caminho.
É importante que as famílias não assumam a posição de refém (por medo e culpa) pois dessa forma , o borderline pode assumir controlar a situação. Empatia , veracidade e dados de realidade deve entrar na comunicação diária com o "borderline". Compreender a dor do "borderline" sem com isso ceder aos seus impulsos é imprescindível para a reestruturação da comunicação familiar. Amá-los também é colocar limites, perceber e não ceder as suas manipulações, ajudá-los a preservarem suas relações no dia a dia e a conterem sua impulsividade, para que eles não coloquem a própria vida e de outras pessoas em risco.
Por tudo isso conviver com o "borderline" é difícil e o limite é necessário para se estabelecer um relacionamento mais equilibrado... O "borderline” necessita aprender a tolerar as frustrações. Eles precisam ser protegidos do seu próprio comportamento impulsivo, agressivo e em geral destrutivo. Devem perceber através dos limites que tais atitudes afastam as pessoas das quais depende.
O borderline precisa de tratamento terapêutico e psiquiátrico, simultaneamente.
Acreditamos que o contexto familiar possa contribuir como um espaço facilitador para o desenvolvimento de novas habilidades psicossociais. Viver em permanente sentimento de impotência, incompetência pode levar os familiares do borderline a um esvaziamento emocional e afetivo , já que todos os recursos mostram-se insuficientes. Acolhimento e limite simultaneamente é uma manobra delicada de se atingir, mas é através dela que a família pode colaborar para amenizar a dor que permeia esta relação. Ao dividirem estas emoções com profissionais , normalmente caminham para a construção de uma nova estrutura familiar.
Fonte: http://www.nucleovivo.com.br/2012/10/a-relacao-familiar-com-o-borderline.html

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